SOS ENTRE RIOS

Este é mais um buraco, entre tantos por aqui, no qual bom humor, doses de ironia e pitadas de inteligência (?) se misturam. Aprecie, com moderação, relatos bem-humorados sobre coincidências que são meras semelhanças da realidade diária do que (não) acontece no distrito de Entre Rios - famoso pelas colônias de alemães, de cupins, de traças, de buracos...
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9 de abril de 2011

Entre Rios - de Guarapuava - no Paraná

Acesso ao distrito de Entre Rios
Sem asfalto ou...
Com asfalto???

ENTRE RIOS... INTEIRO?*

Governos vêm e vão
O ¨papo¨ fala mais alto
Cesta, gás ou ¨duzentão¨


Fendas racham o chão
No terceiro planalto
Tem mais buracos que o Japão



Mas você quis alguém
Que fosse te prometer
O que? Abra o olho de uma vez

Que a lama escorre
Se as chuvas vêm
Até barcos atolam
Em rios inteiros
De insatisfação


Com pára-choque à mão
Velho! Matei o fusca
Atropelei um ¨panelão¨



Cai mola, a suspensão
Despenca a porta
Onde o asfalto era bom


E xinguei alguém
Você vai reconhecer
Se eu desenhar outra vez

Que asfaltos tentem
E ¨anti-pós¨ também
Suportar, desejosos
Quatro anos inteiros
Sem um tampão



E a desculpa é sempre essa
É o ¨tempo¨, trapaceiro
Olha aqui rapá, esse é meu lugar
Te dou impostos e dinheiro
Tem indústria e lavoura, mas aqui não tem ladrões

Óh céus! Cadê meu chão?
Em meio ao pó
A lesma passa o caminhão



Borracharia de montão
Nota preta
Com pneu furado do alemão

E o turista não vem!
Até o mané percebeu
O que? O seu eleito vai esquecer

Que carros somem
Em crateras do além
Que as verbas cheguem
A Entre Rios inteiro
Que decepção!


E seu lugar é no asfalto
Trocando pneu dianteiro
E aí rapá? Invista no meu lugar
Posso até ser bem maneiro
Mas evite andar à noite, talvez quebre a suspensão

Acesso principal a Entre Rios...
Que todos votem
Em alguém de bem
E as Colônias sejam
Dois rios inteiros
Numa só direção

...

*Sátira inspirada na música ¨Dois Rios¨, do Skank. 

22 de março de 2011

O fim de um ícone: morre Milho-Verde


Um ícone. Um símbolo. Um anti-herói às avessas. Um mártir ao contrário. Ele se foi. Com pesar o SOS Entre Rios festeja a passagem de Sr. Milho-Verde, aos cerca de 3 meses de idade. Senhor Milho-Verde ficou famosíssimo ao aparecer em um jornal, em fevereiro. Ao SOS ER, concedeu entrevista histórica e exclusiva, quando contou todo o seu drama. A matéria pode ser lida neste link.

Segundo apurou o SOS Entre Rios, senhor Milho-Verde morreu de múltiplos cortes em todo o seu próprio ser, provocados aparentemente por surpreendente e inesperdado corte de grama, no canteiro central da Avenida Bento Munhoz da Rocha Neto, na Colônia Vitória. Foi neste endereço que Milho-Verde nasceu, cresceu, cresceu e cresceu mais um pouco. No ápice de sua forma física, viveu a maior de suas frustrações: não teve espigão nem tempo para se reproduzir.

Seu irmão, que nasceu, cresceu e cresceu e cresceu a três quadras de distância e com quem cortou contato havia mais de um mês, também não suportou às inesperadas lâminas que trucidaram o seu ser.

Sempre feliz, sorridente, simpático e dono de voluptuosos cabelos loiros, Milho-Verde agradecia imensamente aos responsáveis pela manutenção das vias públicas do Distrito de Entre Rios, por terem lhe proporcionado a inestimável possibilidade de viver por mais de 3 meses sem ser cortado uma única vez, sequer.

O SOS Entre Rios informa que ainda busca informações para certificar-se a quem atribuir o repentino corte de todo o canteiro central da Avenida Bento Munhoz (oito quadras), fato realizado em um dia (repita-se e memorize-se: somente um dia), após cerca de três meses sem a presença da equipe de jardinagem.

Na despedida de Milho-Verde, o SOS Entre Rios presta uma última homenagem a esse valente símbolo, uma ¨bandeira perdida na fartura das colheitas¨, como escreveu Cora Coralina, em seu longo e absolutamente oportuno poema intitulado ¨Milho¨, cujos trechos se lêem abaixo, repicados pelas fotos fúnebres de Milho-Verde:

Milho
(Trechos do poema de Cora Coralina)

(...)
Milho virado, maduro, onde o feijão enrama
Milho quebrado, debulhado
na festa das colheitas anuais.
Bandeira de milho levada para os montes
largada pelas roças:
Bandeiras esquecidas na fartura.
Respiga descuidada
dos pássaros e dos bichos.
Milho empaiolado.
abastança tranqüila
do rato,
do caruncho.
do cupim.
(...)


Aqui jaz Sr. Milho-Verde, morto, trucidado, após 3 meses crescendo à beira da estrada
O mato vem vindo junto,
Sementeira.
As pragas todas, conluiadas.
Carrapicho. Amargoso. Picão.
Marianinha. Caruru-de-espinho.
Pé-de-galinha. Colchão.
Alcança, não alcança.
Competição.
(...)
Aqui também jaz o irmão de Milho-Verde - em um dia cortou-se tudo
o que ficou parado por 3 meses
Milho crescendo, garfando,
esporando nas defesas…
Milho embandeirado.
Embalado pelo vento.
"Do chão ao pendão, 60 dias vão".
Passou aguaceiro, pé-de-vento.
"- O milho acamou…" "- Perdido?"… Nada…
Ele arriba com os poderes de Deus…"
E arribou mesmo; garboso, empertigado, vertical
No cenário vegetal
um engraçado boneco de frangalhos
sobreleva, vigilante.
Alegria verde dos periquitos gritadores…
Bandos em seqüência… Evolução…
Pouso… retrocesso.
(...)

Compare também o antes e o depois do corte de grama:


Antes do corte: 9 de Março de 2011
Depois do corte: 22 de Março de 2011

9 de março de 2011

Arquivo Milharal retrata passado recente do Sr. Milho-Verde

Conto de Fatos

Dada a inimaginável repercussão de sua entrevista exclusiva ao SOS Entre Rios (leia logo abaixo), o Sr. Milho-Verde lançou mão (espiga?) de fotos antigas do seu arquivo milharal.

Veja abaixo fotos de quando Sr. Milho era ainda mais verde (Créditos: Arquivo Milho-Verde):

Quando tinha cerca de 60 dias de vida, pequeno Milho-Verde apareceu no jornal,
onde foi vítima de preconceito e discriminação por parte de um morador. Ao contrário
do SOS ENTRE RIOS, o pé de Zea Mays não teve espaço para dar sua versão, à época.
¨Quase esbugalhei naquele dia¨, revela.

Milho-Verde recebeu a mesma foto por carta anônima, onde se lia: ¨Sr. Milho-Verde
não quero te prejudicar. Mas o senhor é o símbolo do nosso abandono¨.

Emocionado, Sr. Milho-Verde revela que tem um irmão, com o qual não conversa há mais de
um mês. A última foto dele é esta, de quando o irmão crescia em outra parte da
Av. Bento Munhoz da Rocha Neto, na Colônia Vitória, em Entre Rios. A reportagem
do SOS ER acalmou Sr. Milho-Verde, explicando que seu irmão está bem
e continua crescendo em meio ao mato da avenida, sem ser incomodado.
(Esta é uma história de ficção, qualquer semelhança com fatos, fotos e nomes terá sido mera... incidência concomitante)