SOS ENTRE RIOS

Este é mais um buraco, entre tantos por aqui, no qual bom humor, doses de ironia e pitadas de inteligência (?) se misturam. Aprecie, com moderação, relatos bem-humorados sobre coincidências que são meras semelhanças da realidade diária do que (não) acontece no distrito de Entre Rios - famoso pelas colônias de alemães, de cupins, de traças, de buracos...
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20 de julho de 2011

Metalinguagem

O assíduo leitor deste espaço e blogonauta espanhol, erradicado em Entre Rios, Viceu Buracón Nanet, enviou-nos e-mail, informando que o SOS Entre Rios estava sendo visitado por inúmeros ilustres moradores, em todos os buracos, ou melhor, lares do Distrito.

O estrondoso disparo no número de visitações deve-se à divulgação deste humilde espaço no site Rede Sul de Notícias, situado em outro arquipélago de estradas rodeada de buracos por todos os lugares, chamado Buracuava.

Viceu Buracón enviou-nos, gentilmente, fotos do próprio monitor, atestando a publicação no referido site.

O SOS Entre Rios atenciosamente agradece o distinto espaço dedicado e reitera votos e protestos de elevada estima e consideração (estimamos muito esses agradecimentos formais!).


Matéria na Rede Sul divulga trocadilhos infames deste blog.
O SOS Entre Rios aproveita para convidar todos os visitantes a acompanhar regularmente este espaço, cadastrando seu e-mail no ¨Receba Atualizações por E-Mail¨ (aqui do lado), bem como a comentar os posts que por ventura merecerem tamanho dispêndio de tempo.

E, claro, empresas de Entre Rios que se identificarem com a ideia central deste Blog têm a oportunidade de ter seu logotipo divulgado juntamente com nossos patrocinadores Masters (Makilagens Nakova, BulakosTur e BulakosCar) pelo valor do patrocínio Júnior! Aproveitem!

14 de maio de 2011

Carta de um ex-morador sobre um ex-Entre Rios

Certo dia, um ex-morador (tudo aqui começa com ¨ex¨...) de Entre Rios enviou uma carta recheada de boas lembranças a um amigo, que continua a morar no distrito.

Dizia a correspondência:

¨Olá, caro amigo!!

Há quanto tempo! Lembrei, um dia desses, das nossas lindas Colônias e resolvi escrever. Como estão as coisas por aí? Muito chucrute e chopp?
Sabe do que mais sinto saudades? Da tranquilidade do campo, das belas paisagens, de acordar ao som dos pássaros e galos cantando, dos quero-queros gritando e dos cachorros latindo, logo cedo, para o pessoal indo trabalhar. Lembro como é maravilhoso sair de casa e dar de cara com o sol, ofuscante e brilhante, entre as árvores, sem arranha-céus ou edifícios a atrapalhar a vista. 

Como era gostoso passear de carro, aos domingos! Aquelas ruas lindas, limpas, bem cuidadas, asfaltos novinhos, as milhares e milhares de rotatórias, todas floridas, tudo tão bonito. Lembra quando alguns turistas chegaram a chamar nosso cafofo de ¨Europa Brasileira¨? Achei um exagero, à época. Mas, pensando bem, a infraestrutura conservada aliada às construções com estilo típico alemão, a conservação da língua dos antepassados, tudo (desculpa ser repetitivo) tão bem conservado!!!

Estou curioso, caro amigo, para saber como estão as coisas por aí, depois de 15 anos! Sei que, quando me mudei, estavam recém asfaltando algumas estradas paralelas, era tudo novinho em folha. Imagino como deve ter evoluído, novas estradas foram construídas, novas casas erguidas, deve parecer uma cidadezinha linda!

Puxa vida, com o avanço da economia, aquelas estradas que levam às fazendas, às chácaras, enfim, aos locais que trazem tanta produtividade e prosperidade a Entre Rios, à Guarapuava, ao Paraná, esses caminhos do campo e da fartura já devem estar finalmente asfaltadas, eu imagino!

Era tudo lindo e ainda havia tanto a ser feito: tantas ruas secundárias sem asfalto, ouvi falar que iriam colocar aquela porcaria de ¨anti-pó¨, espero que a idéia não tenha vingado. E se vingou, espero que os órgãos responsáveis tenham feito com planejamento e responsabilidade.

Tenho uma foto que levo sempre comigo, onde se vê o canteiro central na avenida, o asfalto novo, lindas casas de cada lado!!! Não vejo a hora de receber fotos atualizadas para eu mostrar aos meus amigos - eles simplesmente não acreditam que existe um lugar assim, como Entre Rios, maravilhoso e único!!! 

Forte abraço!¨

Com profundo aperto no coração, o atual morador de Entre Rios pensou como poderia agradar ao grande amigo. Sem ter como tirar as tais ¨belas fotos¨, resolveu enviar uma sequência de três imagens e um pequeno texto explicativo: 

¨Caríssimo amigo!!!

Que saudades, rapaz! De ti e daqueles tempos! Aliás, o ¨tempo¨, em suas várias acepções, foi muito cruel com Entre Rios. Creio que esta sequência de imagens irá causar certa desilusão, mas a realidade é mais crua do que a mais bem passada das fábulas, como diria o poeta. 


P.S.: Sugiro continuar mostrando as fotos antigas aos seus amigos.
Forte abraço! ¨

Infelizmente, dias depois, o morador soube que o amigo, interlocutor da carta, não resistiu às fortes imagens e faleceu. De desgosto.

Esta é uma história de reflexão, digo, de ficção, qualquer coincidência com fatos, fotos e pessoas terá sido mera semelhança, ou não.

Gostou, odiou, achou que o buraco é mais embaixo? Comente e contribua com o SOS ENTRE RIOS. Idéias, críticas e sugestões são sempre bem vindas!!!

9 de março de 2011

EXCLUSIVO: MILHO VERDE, DA BENTO MUNHOZ, REVELA MEDO DE MORRER


¨É um milagre estar vivo até
hoje¨, desabafa Sr. Milho
(Conto de Fatos)
Nascido em um local inóspito, ele prosperou. Cresceu sem pai nem mãe, apenas acompanhado por uma irmã gêmea incrivelmente mais jovem que ele. Não sabe a quem pertence, não fala nossa língua, aliás, sequer aprendeu a falar.

Apesar de tudo, ele chama a atenção. Não pela sua beleza, com seus vastos cabelos loiros, que resolveu deixar crescer, desde que atingiu maturidade para tanto. Nem pela sua altura, quase 2 metros, algo inimaginável para sua faixa etária.

Mesmo assim, ele chama a atenção. Sua história de vida ele contou, com exclusividade, ao SOS Entre Rios. Confira abaixo, a íntegra da entrevista com o pé de milho mais valente da safra 2010/2011. O único que nasceu, cresceu e está entrando em fase de frutificação no meio da Avenida Bento Munhoz da Rocha Neto, na Colônia Vitória, distrito de Entre Rios.

SOS Entre Rios: Para começar, por que topou conceder esta entrevista inédita? Desculpa nossa ignorância, mas pensávamos que sequer sabia falar...

Milho-Verde-Sem-Nome-Que-Prosperou-Na-Avenida
: Eu queria ter voz. Acho que todo mundo pode ter voz atuante, voz passiva, voz ativa, segunda voz, backing vocal... Eu tenho essa minha voz de taquara rachada. Não é bem uma taquara, mas um pé de milho rachado... Puxa vida, eu cresci subnutrido... (Pausa. Suspiro profundo.). Bem, resolvi falar porque acho que, mais do que um pé de milho, sou um baita sortudo. Nem deveria estar aqui, o trator de cortar grama já deveria ter podado minha felicidade, mas estou aqui, feliz que nem pipoca na panela.

SOS ER
: Conte-nos sua história, resumidamente.

Milho-Verde
: Eu nasci sem eira nem beira. Aliás, nasci numa beira, sim. De estrada. Quando era semente, caí de um caminhão, eu acho. Era para ter fritado no asfalto, virado pamonha. Mas graças a Deus, encontrei um pedacinho de terra. Aí esquentou, choveu, choveu, choveu e choveu mais um tanto. Seu Blog do céu, o senhor não acredita! Eu quase me afoguei! Mas ao invés disso, ao invés de me entregar, o que eu fiz? Hein? Nasci! E brotei. E cresci. E fui crescendo. E não vinham cortador de grama e eu fui crescendo, não vinha rossadeira, e cresci mais um pouco. E assim fui. Hoje me considero um milho quase maduro. Apesar de ainda estar verde. Na verdade aparento ser mais novo do que realmente sou. (Risos).

SOS ER: Mas você sabe que mais hora, menos hora, sua hora vai chegar.

Milho-Verde: Seu Blog do céu, não me diga uma coisa dessas. Eu nem quero pensar nisso! Primeiro meu sonho era nascer. Nasci. Depois meu sonho era crescer. Cresci. Agora, meu sonho é me reproduzir... Mas só vejo a traste da minha irmã aqui do meu lado. E aí? Como é que a gente fica? Não fica, oras.

SOS ER
: Desculpa, Sr. Milho-Verde, mas pelo que eu vejo aqui, seu espigão ainda nem cresceu...

Milho-Verde
: Não fala assim do meu espigão! Tudo tem seu tempo. E vai ver eu sou uma cultivar japonesa... Ora, bolas. Só o que me faltava ser ofendido por um reporterzinho... Por acaso eu impliquei com o tamanho do seu microfone? Jornalista mixuruca...

SOS ER
: Calma Sr, Milho-Verde, quase vermelho! Vamos continuar. O senhor tem uma bela história e deve parte do seu sucesso ao fato de não terem cortado a grama em vias públicas nos últimos dois a três meses. Gostaria de agradecer a alguém?

Milho-Verde
: Claro, se me permitir? Agradeço primeiramente a Deus, que iluminou a cabeça dessa gente e me deixou viver uma vida digna. Agradeço também aos responsáveis pela manutenção da jardinagem das Colônia, puxa vida, vocês são demais! Acho que nunca um pé de milho foi tão valorizado, nestes 60 anos de Entre Rios! Por fim, agradeço ao tempo chuvoso e quente. Sem ele, não haveria outra desculpa esfarrapada para deixarem de cortar a grama, o mato e... (Suspiro profunto) a mim.

SOS ER:
Sr. Milho-Verde, foi um prazer conversar com o senhor. Espero que a vida continue te brindando com tanta saúde e sorte.

Milho-Verde: Eu que agradeço o espaço, seja neste blog, seja aqui na Avenida Bento Munhoz. Sabe, é realmente um milagre eu estar vivo. Dezenas de caminhões passam por essa avenida diariamente, indo e vindo da cooperativa, trazendo dinheiro, prosperidade e tributos. E mesmo assim estou aqui. Em pé. Como se fosse de meu direito não ser cortado. Muito obrigado a todos que colaboraram para com esta minha agradável situação! Sou uma ilha de felicidade cercado de mato por todos os lados! Parabéns e obrigado.
Sr. Milho-Verde: ¨Sou uma ilha de felicidade cercado de mato por todos os lados¨.
(Esta é uma história de ficção, qualquer coincidência com fatos, fotos e nomes terá sido mera... coincidência, mesmo)